O desafio é chegar aqui e começar a escrever. Sabendo que ninguém me conhece. Que eu posso ser livre, e me rasgar por inteiro, e chorar cada pontada que eu sinto no coração desde que tudo começou. Sabendo que ele não vai ler. Porque eu sempre usei blog como forma de comunicação, eu sempre escrevi pra ser lida, e em momentos de rompimento eu sabia que quem precisava me ouvir estaria lendo. Então eu escrevia. E ele me disse pra escrever, e disse que entrava no blog todos os dias. E eu só chorava dizendo que não conseguia mais. Que ele tinha me calado e que eu não queria machuca-lo como estava sendo machucada. Eu aguento, ele disse.
Eu até sei que ele aguenta. Quem não aguenta sou eu.
Sou eu que estou fragilizada. Que choro fechada em casa, que me assusto com pesadelos. Eu tenho medo de tudo. Eu preciso me proteger, mas eu nem sei como começar. Não quero que ele saiba de mim, nunca mais. Não escrevo pra ele. Tenho medo que ele esteja acompanhando o que eu faço ou o que eu digo, pra poder concluir quando eu estiver melhor e se sentir menos culpado. Eu nem acho que ele sinta culpa. Tem gente que passa por cima de tudo, deixa tudo pra trás. Eu fiquei pra trás. Ele me deixou pra trás.
Aqui ninguém me conhece. Sou só eu. Sem histórico, sem leitores, sem amigos. Eu queria deitar em posição fetal, em algum lugar quentinho e hibernar, dormir até que tudo passasse. Até que a dor passasse. São 58 dias desde aquele 22 de novembro. Eu quase não sei como vim até aqui. Eu não acho que eu tenha sobrevivido. Eu não sei como passar por isso, o tempo não me tornou mais sábia ou fez com que eu me acalmasse. Eu continuo sobressaltada, eu continuo com choro engasgado, eu continuo odiando a vida que eu precisei seguir. É questão de tempo, me dizem. Mas quanto tempo?
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